quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

:: ... ::

O paradoxo da vida adulta, o jogo do empurra-empurra. Acabamos engolidos pela rotina e atropelados pelo tempo... ou pela falta dele. Percebi que quanto mais anos eu faço, menos desfruto dos meus dias. Mas não estou sozinha nesta selva (difícil é saber se esta constatação me alivia ou me deprime), junto comigo há mais milhões de adultos na gincana da sobrevivência.

Por mais que haja diversas filosofias de grandes sábios dizendo que devemos levar a vida com mais leveza, vestir o quanto antes o chapéu roxo e dançar na chuva sem se preocupar se há alguém nos observando... Apesar de muito proclamado, isso é pouco seguido.

É que por esses dias minhas palavras andam vagando no vácuo do espaço... Sabe quando a gente fala, fala, fala e é como se ninguém estivesse ouvindo? A rotina me engoliu... os ponteiros do relógio me atropelaram...

E foi assim que eu desenterrei o meu velho caderno... foi assim que eu desenterrei minha velha mania de escrever...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

:: A Batalha ::

Nada...
Tudo...
Tempo...


O meu pior inimigo está dentro de mim...
Na miséria dos meus sentimentos mais culposos...
Pronto... está travada a batalha...
Somos duas... eu boa e eu má...
Os olhos transbordam de ternura e fel...
Mal posso acreditar em verdades tão distintas uma da outra...
A boa chega se derramando de pavor, 
angustiadamente com medo da bandeira branca não ser levantada...
A má... ah, essa chega como uma cobra sorrateira,
seduzindo com o sabor do orgulho, do "ser melhor"...
Criatura estranha... de coração tão grande e sentimentos tão pequenos...
Sangro... por amor e por dor...
Raramente me perco... mas perco de mim mesma...
Sei exatamente onde estou... sou consciente de cada ato (falho) meu..
Mas hoje eu queria me encontrar em um lugar longe daqui...
Criar coragem e me agarrar à "eu boa"...
Mas é preciso coragem...
Eu quero... eu juro que eu quero...


Nada...
Tudo...
Tempo...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

:: Brincando de Amor ::

O amor é rouco
... é louco
... é pouco
O amor é lúdico
... é músico
...é muito
O amor transforma
O amor deforma
Ele renova
Qualquer trocado
Qualquer barato
O amor é negócio
De muitos sócios
O amor é praxe
... nem sempre é grátis
Mas há quem pague
E quem não pague
Quem sai ganhando???
O Amor.
Ele é soberano

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

:: Palavras Soltas ::

Sentimentos estranhos que me levam a escrever
Meu peito se enche
Minha voz quer falar
Minha mente voa tentando encontrar algum lugar
Mas acabo que me calo e as palavras
se contentam em sair apenas no papel
 
Então me vejo a rimar
Já se tornaram palavras gastas
Palavras muito usadas
Seguindo o mesmo verso
A mesma ladainha
A mesma rima
Repetindo a canção do poeta
 
Palavras essas que não chegaram ao seu ouvido
Desviaram-se e acabaram sem rumo
Perdidas
Apenas palavras escritas
Amareladas
Guardadas
E tudo fica arquivado
Para um dia consolar um coração abandonado
Mais um coração não amado

terça-feira, 12 de outubro de 2010

:: Acaso da vida ::

Ele tropeçou no barro
Foi afiado na navalha
Viu o sangue escorrer no ralo
Era o alvo da metralha

Não teve poesia na vida
Só o som de uma bala
Tentou se esconder da polícia
Mas caiu no colo do guarda

Foi ver o sol nascer quadrado
E se viu do lado errado
Negou que fosse culpado
Mas já era tarde, coitado!

Conheceu cedo a malandragem
Entrou num beco sem saída
Pagou no tiro sua passagem
E viu a morte na próxima fila

Foram acasos da vida
Foram escolhas tortas
Um dia era marica
No outro, uma pessoa morta

Nem em meio aos aliados
O pivete foi liberado
Cuspiu formiga do barro
Foi-se cedo, Coitado!