quarta-feira, 2 de março de 2011

:: Quem escolhe? ::

Cadê minha memória?
Sumiram com os heróis de minha história

Cadê o verde da esperança?
Roubaram meus sonhos de criança
Fugiram com minha herança

Os sonhos que cultivaram para mim
Cadê as rosas e as fitas de cetim?

Plantaram para eu colher
Mandaram-me escolher
Mas a vida escolheu por si
Não me coube decidir

Então penso em quantas vidas
Foram escolhidas
Não era bem assim que as queria
Mas não houve outra opção
Temos que lutar com as armas que temos nas mãos

:: O clichê do Amor ::

O desejo de abraçar o mundo vai além do meu próprio ser
Quero descobrir tudo o que ainda não pude saber
Quero ir a lugares que não vieram até mim
Trilhar o arco íris e descobrir seu fim
Mergulhar o Pacífico e chegar ao Japão
Dançar aquelas danças
Que não se dançam no salão
Falar palavras não usadas
Subir montanhas não escaladas
Tocar o céu
Voar em avião de papel
Conversar com as estrelas do mar
E descobrir que elas podem falar
Contar os grãos de areia
Ouvir os cantos das sereias
Tomar banho de chuva em plena segunda-feira
Dispenso todo o convencional
Faço-me o favor de ser original
Só não abandono o clichê do amor incondicional!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

:: A rua da minha casa ::

Como um suspiro
Único e preciso
Tão rápido e tão sentido
Em uma noite estrelada
Perdi o rumo de casa
Fui parar em rua alheia
E baguncei minha vida inteira
Perdi o tino
E nem tenho a quem culpar
Se transformou em segredo
E está difícil não lembrar
Se atravesso a ponte... Me perco antes mesmo de chegar
São desavisos da vida...
Sonhos que deixei de contar...
Para quem sabe um dia...
Um dia...
Quem sabe...
Eu deixe a vida me levar....................

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

:: ... ::

O paradoxo da vida adulta, o jogo do empurra-empurra. Acabamos engolidos pela rotina e atropelados pelo tempo... ou pela falta dele. Percebi que quanto mais anos eu faço, menos desfruto dos meus dias. Mas não estou sozinha nesta selva (difícil é saber se esta constatação me alivia ou me deprime), junto comigo há mais milhões de adultos na gincana da sobrevivência.

Por mais que haja diversas filosofias de grandes sábios dizendo que devemos levar a vida com mais leveza, vestir o quanto antes o chapéu roxo e dançar na chuva sem se preocupar se há alguém nos observando... Apesar de muito proclamado, isso é pouco seguido.

É que por esses dias minhas palavras andam vagando no vácuo do espaço... Sabe quando a gente fala, fala, fala e é como se ninguém estivesse ouvindo? A rotina me engoliu... os ponteiros do relógio me atropelaram...

E foi assim que eu desenterrei o meu velho caderno... foi assim que eu desenterrei minha velha mania de escrever...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

:: A Batalha ::

Nada...
Tudo...
Tempo...


O meu pior inimigo está dentro de mim...
Na miséria dos meus sentimentos mais culposos...
Pronto... está travada a batalha...
Somos duas... eu boa e eu má...
Os olhos transbordam de ternura e fel...
Mal posso acreditar em verdades tão distintas uma da outra...
A boa chega se derramando de pavor, 
angustiadamente com medo da bandeira branca não ser levantada...
A má... ah, essa chega como uma cobra sorrateira,
seduzindo com o sabor do orgulho, do "ser melhor"...
Criatura estranha... de coração tão grande e sentimentos tão pequenos...
Sangro... por amor e por dor...
Raramente me perco... mas perco de mim mesma...
Sei exatamente onde estou... sou consciente de cada ato (falho) meu..
Mas hoje eu queria me encontrar em um lugar longe daqui...
Criar coragem e me agarrar à "eu boa"...
Mas é preciso coragem...
Eu quero... eu juro que eu quero...


Nada...
Tudo...
Tempo...